sexta-feira, 16 de junho de 2017

Seu cerebro te engana diariamente e você nem se dá conta disso; entenda

img

Foto: Reprodução

Muitas vezes tomamos decisões que parecem não serem nossas, como comprar alguma coisa por vermos uma propaganda, mesmo sem precisarmos daquilo ou sem ao menos saber o que aquilo agregaria em sua vida. E é exatamente isso que acontece, seu cérebro engana você e te influencia a coisas que talvez você nem queira – ou não saiba que queira.

O órgão mais ativo do corpo humano nos engana a todo momento, com mais de 100 bilhões de neurônios que realizam mais de 150 trilhões de conexões sem nem gastar muito da sua energia é mestre no quesito manipulação. Ele nos cega por aproximadamente 4 horas diárias. Ele nos submente a situações por forças exteriores e muitas vezes cria preconceitos em assuntos diversos, mesmo você garantindo que não os tem.

A sua mente tem esse poder de autocontrole e não há nada que você possa fazer sobre isso, pois é tudo instantâneo e espontâneo, no intuito de economizar a sua energia diária, seu cérebro encontra maneiras de ludibriar suas decisões e alguns atos.

A ILUSÃO DAS DECISÕES

Na prática nosso cérebro recebe informações a todo momento, dentre elas as famosas mensagens subliminares, que influenciam no que iremos comprar, vestir e até mesmo comer. Acontece quase que uma hipnose diária no órgão, por influencias externas, por mais que lutemos contra, nossas decisões são tomadas de acordo com as tendências ao nosso redor, ou aquelas que seguimos.

Um estudo realizado no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, comprovou que todas as nossas escolhas são tomadas pelo cérebro antes mesmo de chegarem à consciência por uns 10 segundos antes mesmo de saber se queremos aquilo ou não.

Muitas vezes nem com fome estamos, mas ao nos depararmos com cheiros ou imagens de comida, nos dá a sensação de que estamos querendo comer aquilo, desenvolvemos hábitos voltados para a cultura que nos cerca, pela eficiência em poupar energia cerebral que temos.

poupar energia cerebral que temos.

Foto: Reprodução

A CEGUEIRA INVOLUNTÁRIA

A única parte do olho humano que capta imagens claras chama-se fóvea, ela tem 1 milímetro de diâmetro e fica no centro de nossa retina. Para compor um quadro de imagens e formar uma visão completa, os nossos olhos ficam constantemente em movimento. Eles focam determinado ponto e depois pulam para o próximo ponto. Nesse intervalo, não temos uma visão completa e é aí que sofremos a influência do nosso cérebro: ele substitui a ‘cegueira’ por imagens próprias, para que completemos o quadro.

Ou seja, como nossos olhos pulam ao menos 150 mil vezes por dia, o que resulta em aproximadamente 4 horas diárias de cegueira involuntária. Não percebemos isso, pois nosso cérebro consegue preencher essas lacunas com as imagens que ele mesmo criou, nos dandos a sensação de que realmente enxergamos aquilo, quando na realidade não vimos o quadro completo e correto.

AS BOAS LEMBRANÇAS

Sim, seu cérebro também consegue te enganar quando o assunto é memória. De acordo com o revelado por estudos na Universidade da Califórnia, EUA, o nosso cérebro tende a ser influenciado também quando vamos relembrar algo, muitas vezes fatos tristes podem vir a ter outra perspectiva de acordo com o que pedimos inconscientemente ao cérebro. Bem como a criação de memórias que talvez não sejam exatamente suas.

Assim como a tendencia cerebral de qualquer individuo é otimista. A pesquisadora Tali Sharot, da University College London, comprovou através de analises e experimentos que mesmo situações corriqueiras e banais do dia a dia, como ir ao banco, ativa no cérebro uma visão melhorada para o evento que ocorrerá, ou seja, as reações cerebrais sempre melhoram a perspectivas do futuro.

PAREIDOLIA

Outro fenômeno que nosso cérebro consegue realizar sem nem ao menos percebermos, é a pareidolia. A arte de enxergar aquilo que queremos no que queremos. Na prática ela transforma imagens comuns em imagens com semblantes humanos.

Foto: Reprodução

Mas o fenômeno psicológico não se limita a apenas enxergarmos imagens com tais feições, ela vai além para outro sentido humano, a audição nos fazendo ouvir frases ou palavras onde na verdade só há ruídos. O exemplo são hábitos de se ouvir músicas ao contrário, achando ter alguma mensagem ali.

Foto: Reprodução

A explicação é de que em nossa evolução, precisávamos sempre nos reconhecer mesmo que em imagens distintas, aos pares, para podermos sobreviver em sociedade. O ser humano evoluiu em grupo e assim o cérebro procura por outras fisionomias para se manter 'vivo' e 'seguro'.

Clique aqui para ver página original

terça-feira, 13 de junho de 2017

Esse é um rio na Amazônia que mata tudo que cai nele

A Amazônia é uma floresta que cobre a maior parte da Bacia Amazônica da América do Sul. O local é considerado o maior bioma brasileiro, e possui um território que corresponde a 4.196.943 milhões de quilômetros quadrados. Além disso, a floresta Amazônica abrange nove países: Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname.

No entanto, o que poucos sabem sobre esse lugar é que a Amazônia contem um rio que mata tudo o que cai nele. O curso de água fica no centro da floresta peruana e para ter acesso ao local é preciso muito esforço. Isso porque é necessário cerca de uma hora de voo até a cidade de Pucallpa, que abriga a maior parte da Amazônia que se circunscreve dentro do território do Peru. Depois é obrigatório percorrer duas horas de carro entre a cidade até o rio Pachitea, e mais 30 minutos para chegar até a foz do Rio Fervente, o lugar considerado mortal.

Quem visita o lugar acredita que o rio possui um forte poder espiritual. “Um lar de espíritos muito poderosos da selva, onde só os xamãs mais poderosos poderiam ir, porque outras pessoas teriam medo desses espíritos”, relatou o explorador da National Geographic, Andres Ruzo. Ele já esteve no rio e acredita que em todo o lugar habitam espíritos da selva, assim como os nativos locais pensavam.

O nome indígena do rio é Shanay-timpishka e significa ‘fervido com o calor do sol’. Isso porque durante as manhãs, as águas do rio são frias, depois elas começam a esquentar, mas durante a noite tornam a serem frias. No entanto, o que provoca a morte das pessoas é o fato de que, na maioria das vezes, a temperatura é tão grande que pode matar qualquer pessoa. Existem relatos de animais que acabaram mortos ao tentar matar a sede.

Uma das coisas mais impressionantes do Rio Fervente é que ele flui por mais de seis quilômetros de percursos, possui piscinas termais e cascatas de mais de seis metros de altura, tudo com a água quase fervendo. A temperatura do rio pode chegar a inacreditáveis 47 ºC.

Existem algumas teorias que afirmam que o rio se tornou “mortal” após um acidente de num campo de petróleo a 2 km dali. Porém, essa hipótese ainda não é certa, já que a empresa Maple Energy também é responsável por proteger a selva do rio que as águas fervem.

Segundo Andres, essas empresas fazem isso porque podem perder suas concessões. “Noventa e nove por cento do desmatamento em torno do rio é causado pelos próprios moradores que cortam as árvores e queimam o resto, jogando gasolina na selva, acendendo-na algumas vezes e depois deixando o gado solto”, disse ele.

O que você achou desse rio? Teria coragem de ir visitá-lo? Deixe a sua opinião abaixo.

Clique aqui para ver página original

terça-feira, 6 de junho de 2017

Programa Plantadores de Rios vai incentivar a população a preservar nascentes

O Ministério do Meio Ambiente lançou, nesta segunda-feira (5), o programa Plantadores de Rios, em comemoração ao Dia Mundial do meio Ambiente. O projeto visa a proteger e recuperar nascentes e áreas de preservação permanente (APP) de cursos d'água, para contribuir com o enfrentamento a crise hídrica que assola diversas regiões do País.
Durante a cerimônia de lançamento, no Palácio do Planalto, o ministro Sarney  ressaltou que a medida reforça a participação popular na conservação ambiental. “Essa é uma importante ferramenta que irá motivar a participação social nas ações de recuperação de rios e nascentes”, afirmou.

Uma das inovações do projeto foi aliá-lo à tecnologia com a criação de um aplicativo interativo para celulares, que liga donos de imóveis rurais inscritos do Sistema de Cadastro Ambiental Rural (SiCAR) a interessados em investir na recuperação florestal.

Informações

O aplicativo identifica nascentes localizadas em um raio de até 50 km do interessado em adotar uma nascente. O procedimento começa com a escolha do local e o contato com o proprietário do imóvel rural. Dali em diante, se inicia uma troca de informações pelo chat do aplicativo.

A ferramenta permite que os colaboradores sejam avaliados, formando um ranking dos melhores proprietários de áreas, prestadores de serviços e patrocinadores. As informações compartilhadas serão protegidas. O investimento de um colaborador na recuperação de uma área não gera nenhum direito sobre a área apoiada.

O programa também poderá colher informações sobre novas nascentes detectadas pelos usuários, como, por exemplo, as localizadas em áreas urbanas. As informações irão alimentar o banco de dados do SiCAR.

Proteção da água

Para criar o programa, o Ministério do Meio Ambiente se baseou nas pesquisas socioambientais realizadas pelo Inventário Florestal Nacional (IFN). Elas mostram que a população reconhece a relação entre floresta e produção de água. Mais de 70% dos entrevistados responderam que o principal serviço ambiental das florestas é a produção de água e proteção de nascentes.

Outra fonte de dados para criação do Plantadores de Rios foi o SiCAR. O sistema, que gere o Cadastro Ambiental Rural, já tem mapeados mais de 15 milhões de hectares de áreas de preservação permanentes. Desses, cerca de 6 milhões de hectares precisam ser recuperados. No sistema, estão cadastradas cerca de 1,5 milhão de nascentes.

Clique aqui para ver página original

Estudo analisa riscos do aquecimento global ao litoral do Brasil e alerta para falta de dados

Estudo analisa riscos do aquecimento global ao litoral do Brasil e alerta para falta de dados
Ambiente-se

Forte ressaca em 2016 em Santos atingiu canais e bloqueou ruas. Crédito: Mauricio de Souza

Com 60% da população vivendo em áreas costeiras, o Brasil pode enfrentar sérios problemas nas próximas décadas com o aumento do nível do mar e outros eventos decorrentes das mudanças climáticas, como chuvas extremas, tempestades, excesso de ventos e, por consequência, aumento de ressacas.

Relatório que será divulgado nesta segunda, 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), aponta que cidades na faixa litorânea entre Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte estão entre as mais vulneráveis a todos os tipos de perigos, como erosão, ressacas, enchentes, temperaturas extremas, infestação de insetos e pragas. Cidades do Sul, de São Paulo e do Ceará também preocupam.

“Todas essas localidades se enquadram nas classes de vulnerabilidade alta ou muito alta, possuem históricos recorrentes de inundações, enxurradas ou alagamentos altamente impactantes para a sociedade e podem se tornar ainda mais vulneráveis no futuro”, afirma o trabalho, que compila os últimos estudos sobre o tema e traz o estado da arte sobre as vulnerabilidades da área costeira.

A análise levou em conta um conjunto de índices que apontam a vulnerabilidade de todos os municípios brasileiros e o risco de ocorrência de quatro tipos de desastres: enchentes/enchentes-relâmpago, secas/estiagens, escorregamentos e elevação do nível médio do mar. Segundo o trabalho, só na cidade do Rio há mais de 2 milhões de pessoas expostas a escorregamentos. São 800 mil expostas a secas e estiagens na capital fluminense e outras 650 mil em Fortaleza.

Segundo o relatório, se o aquecimento do planeta for limitado a 2°C até 2080 (a meta do Acordo de Paris é ficar bem abaixo disso até 2100), ainda assim pelo menos 5% da população das áreas costeiras poderia ser afetada. Se o aumento da temperatura for maior, para 4°C, pelo menos 8% seriam afetadas.

Um outro trabalho estima, para as 22 maiores cidades costeiras da América Latina, que inundações promovidas por um aumento do nível do mar de até 20 centímetros até 2050, trariam prejuízos de US$ 940 milhões; já para uma elevação de 40 centímetros, os custos saltariam para US$ 1,2 bilhão.

Faltam dados. Um outro alerta do trabalho é ainda mais contundente. Faltam estudos e dados históricos que permitam estimar com mais precisão como o País pode ser afetado pelas alterações provocadas pelo aquecimento global e como podemos nos adaptar a elas.

Os problemas, no entanto, se fazem cada vez mais presentes, como as erosões e encolhimentos de praias vistos em vários cantos da costa e as ressacas intensas (como as que atingiram Santos e Rio no ano passado).

“Observamos eventos já acontecendo e os governos estão sendo pegos desprevenidos. A adaptação tem de ser reforçada, mas precisamos saber a que adaptar, qual é o problema que tem de enfrentar”, explica José Antonio Marengo, coordenador geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos organizadores do relatório.

Não há, por exemplo, para toda a costa brasileira, um valor médio de quanto já subiu o nível do mar, em parte porque não há uma base de dados históricos de qual era o nível do mar em todos os pontos costeiros em diferentes momento.

“Outro problema é que é uma área muito grande, então os impactos vão ocorrer de diferentes formas”, afirma Suzana Kahn, presidente do Comitê Científico do PBMC.

Para algumas áreas, no entanto, há bastante informação e as projeções são mais seguras, dando um indicativo do tamanho do problema para todo o Brasil. É o caso de Santos, que têm o maior porto da América Latina. A cidade no litoral sul de São Paulo tem testemunhado um aumento do nível do mar em média de 1,2 mm por ano desde a década de 1940. E as ondas também passaram de cerca de 1 metro, em 1957, para 1,3 m, em 2002, período em que houve também aumento da frequência de ressacas.

Projeções considerando o valor venal de imóveis à beira-mar na cidade apontam que os prejuízos até 2100, podem ser de R$ 870 milhões se o nível do mar subir até 36 cm, e superar R$ 1 bilhão de chegar a 45 cm. A administração da cidade se envolveu na realização dos estudos e é uma das poucas do Brasil que .

Em Recife, o nível do mar entre 1946 e 1988 aumentou 5,6 mm/ano, num total de 0,24 m em 42 anos. A erosão costeira e a ocupação da beira da praia provocaram uma redução da linha de praia em mais de 20 m na Praia de Boa Viagem, a área da orla mais valorizada da cidade.

Governo federal lança projeto de gerenciamento costeiro

Durante as comemorações da semana do meio ambiente, será realizada, desta segunda até sexta-feira, em Nova York, na sede da ONU, a Conferência dos Oceanos. Para o evento, o governo federal deve anunciar como meta voluntária a execução de um programa de gerenciamento costeiro aliado à adaptação à mudança do clima.

Segundo Regis de Lima, gerente de zoneamento territorial do Ministério do Meio Ambiente, o Programa Nacional de Conservação da Linha de Costa Brasileira (Procosta) vai desenvolver uma metodologia única para toda a costa nacional que permita definir as bases para que se possa avaliar o nível do mar.

Isso porque hoje no Brasil se trabalha com dados díspares para medir profundidade, dependendo do ponto de vista que se avalia, se do continente (altimetria) ou se do oceano (batimetria). As duas medidas deveriam ser iguais, mas por diferenças de metodologia não são, e isso é fundamental para entender exatamente qual é o nível do mar hoje.

Outra questão não bem resolvida é a linha da costa – a junção entre o mar e o continente. Normalmente fala-se em 8 mil km, mas é muito maior, por causa das reentrâncias do território. Sem a linha exata para referência, não há como fazer projeções mais precisas sobre por onde o mar pode avançar ao longo das próximas décadas. Quais serão os perigos costeiros.

A partir desses dois dados, o terceiro projeto do Procosta será mapear os riscos e vulnerabilidades sociais, econômicas e ambientais da costa. O quarto é desenvolver um guia para obras costeiras.

“Hoje vivemos uma situação de pouco conhecimento. Se uma praia começa a erodir e o prefeito declara calamidade pública, o Ministério da Integração tem de liberar dinheiro sem saber direito como a situação vai se desenvolver. Sem projeto adequado, sem acurácia, estamos jogando dinheiro fora”, alerta Lima.

O mesmo, diz ele, vale para obras como de portos. “Temos de conhecer a linha de costa, projetar como ela estará nos próximos anos, para evitar construções em locais errados, recuar estruturas, proteger manguezais”, diz.

Durante a conferência, o Brasil vai se comprometer a elaborar e executar o Procosta até 2030.

Clique aqui para ver página original

Moça descobre aos 16 anos que não tem vagina; conheça a síndrome rara


Joanna Giannouli descobriu aos 16 anos que nasceu com a Síndrome de Rokitansky e, portanto, não tinha útero nem vagina. Em entrevista à rede de TV inglesa BBC News, ela conta como foi a descoberta e como é conviver com esta disfunção.

A doença geralmente causa alterações no sistema reprodutor, mas não físicas – ou seja, externamente, não é possível detectar que há algo errado.

Hoje, com 27 anos, ela diz que não conversou muito com os pais sobre o problema pelos primeiros cinco anos após a descoberta porque sua mãe se culpava por acreditar que havia feito algo de errado durante a gravidez.

Joanna conta que não foi fácil aceitar a sua condição e que foi doloroso ser abandonada pelo noivo aos 21 anos quando ele soube do seu problema. "Tudo isso agora pertence ao passado e estou bem agora", desabafou.

Namorando há 5 anos, ela conta que o atual companheiro sabe da síndrome desde o início do relacionamento e que os dois não se importam em não ter filhos.

Diagnóstico

A mãe de Joanna desconfiou que havia algo de errado quando a filha tinha 14 anos. "Minha mãe me levou ao médico quando eu tinha 14 anos porque eu não estava menstruando. Ele não me examinou porque não queria tocar minha genitália", relembra Joanna.

Porém, a descoberta da síndrome só aconteceu quando ela já tinha 16 anos e passou por um check-up. "Tinha nascido sem uma vagina funcional e os médicos tiveram que construir uma para mim para que eu pudesse ter relações sexuais", explica.

Cirurgia reconstrutiva

A construção da vagina foi apenas o começo. Após a cirurgia, ela ficou internada por duas semanas e depois ficou mais três meses de cama, sem poder levantar. Depois, precisou fazer exercícios para conseguir expandir o períneo.

"A vagina construída pelos médicos era estreita e pequena e causava imensa dor quando eu tinha relações sexuais. Precisei expandir meu períneo, uma pequena área abaixo da vagina, com exercícios", relembra.

Tudo isso gerou um abalo emocional muito forte em Joanna e ela teve depressão, crise de ansiedade e ataque de pânico. Dez anos após a cirurgia, ela conta que ainda se sente mal, mas que não tem mais vergonha.

Síndrome de Rokitansky

foto 0

A Síndrome de Rokitansky é uma doença congênita rara que causa a má-formação ou ausência da vagina, das trompas e do útero e afeta uma em cada 5.000 mulheres no mundo. De acordo com o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, ginecologista e especialista em Reprodução Humana da Fertivitro, a síndrome desencadeia alterações no sistema reprodutor, mas não físicas, por isso que ela é imperceptível externamente.

A doença geralmente é diagnosticada por volta dos 16 anos, que é quando as meninas vão investigar porque ainda não menstruaram. "A ausência de menstruação é a principal característica da síndrome. O diagnóstico é feito através de ultrassom e confirmado com ressonância magnética", explica o especialista.

Após o diagnóstico, o ginecologista ressalta que é preciso investigar outras possíveis más-formações, já é comum problemas no aparelho reprodutor afetarem outras partes do corpo como, por exemplo, os rins.

Nos casos mais graves, em que a maior parte da vagina está obstruída, é necessária a cirurgia de reconstrução para que a pessoa possa ter relações sexuais. Quando a doença é do tipo 1, as mulheres geralmente conseguem viver normalmente sem que haja a necessidade de algum tipo de tratamento.

Útero de substituição

Por terem nascido sem útero, as mulheres com a síndrome não podem ter filhos naturalmente, mas produzem óvulos normalmente porque possuem os ovários. Por isso, tem sido cada vez mais comum a adesão ao útero de substituição.

"As mulheres que desejam ser mães podem usar um parente de até quarto grau para engravidar por ela. É feita a coleta dos óvulos dela, dos espermatozoides do companheiro, fazemos a construção dos embriões em laboratório e inseminamos no útero da pessoa escolhida", detalha Luiz Eduardo.

De acordo com o médico, ainda não existem indícios que a síndrome seja uma doença genética.

Clique aqui para ver página original

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Pesquisadores querem usar células-tronco para ressuscitar pessoas: saiba como.


celulas tronco ilustracao 0617 400x800

Células-tronco são capazes de se transformar em qualquer célula do corpo por meio da divisão celular. Sua aplicação pode ajudar na cura de doenças como diabetes e até câncer.

A empresa Bioquark, com sede na Filadélfia (EUA), porém, quer usar o potencial das células-tronco com o propósito de reviver pessoas.

Para isso, pretende injetar células-tronco na medula espinhal de pessoas que tenham morte cerebral (condição em que a atividade neurológica do cérebro é totalmente perdida).

De acordo com a empresa, além da injeção de célula-tronco, seria preciso combinar diversos tipos de proteínas, realizar estimulações elétricas no sistema nervoso do corpo e fazer terapia a laser no cérebro para que uma pessoa considerada morta pudesse ter novamente atividade cerebral.

O estudo completo deve ser publicado até o final deste ano.

Testes com animais e humanos

Uma das etapas da Biomark para levar a pesquisa com células-tronco adiante é realizar testes com animais.

Desde abril de 2016 a empresa conduziu estudos na cidade de Rudrapur, na Índia, mas em novembro o governo local proibiu que as pesquisas continuassem, alegando falta de autorização. No momento, a empresa busca algum lugar da América Latina para prosseguir os testes.

Feito o teste em animais, a próxima etapa seria o teste com humanos.

Segundo o site especializado em saúde e biotecnologia STAT, o protocolo de testes com humanos seria feito da seguinte forma:

Primeiro, eles devem procurar 20 pacientes que receberão alocação de tratamentos. Eles fazem a injeção de célula-tronco de maneira isolada na gordura ou no sangue do indivíduo.Em seguida, os cientistas ajudam a estimular o crescimento de novos neurônios a partir de uma fórmula injetada na medula espinhal com uma mistura chamada BQ-A. Em testes animais, a BQ-A ajudou a corrigir lesões cerebrais traumáticas e enrugamentos de pele.Depois disso, é preciso que os pacientes entrem em um processo que os cientistas chamam de “regime de estimulação nervosa”, com terapia a laser em um período de 15 dias. Segundo a Biomark, esse processo é fundamental para “estimular os neurônios e formar as conexões” com outras partes do corpo.

Morte cerebral: polêmicas

Estudos com células-tronco costumam ser polêmicos, porque não se sabe muito bem como as células podem reagir com divisões celulares.

No caso da investida da Biomark, muitos cientistas não acreditam na potência das células-tronco para ‘ressuscitar’ pessoas.

Ariane Lewis e Arthur Caplan, do Departamento de Neurologia do Centro Médico Langone, de Nova York, escreveram um artigo científico contestando a possibilidade de usar células-tronco para mortes cerebrais. Segundo a dupla, essa tentativa “não tem fundamentos científicos” e dá às famílias “uma falsa e cruel esperança de recuperação que não existe”.

Além disso, há várias questões éticas quando se fala em morte cerebral. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Academia Americana de Neurologia diz que um paciente não pode ser tratado para recuperar as funções do cérebro.

Clique aqui para ver página original

domingo, 4 de junho de 2017

Mitocôndria é bactéria? Descoberta lança dúvida sobre sua origem

colunistas

REINALDO JOSÉ LOPES

Science Photo LibraryMitocôndrias observadas por meio de microscopia eletrônica e coloridas digitalmente em rosa.

Convido-o, insigne leitor, a meditar um momentinho acerca dos mistérios insofismáveis da mitocôndria. (Melhor do que perder o sono de madrugada pensando no sentido da vida e na inevitabilidade da morte, vai.)

Cópias e mais cópias dessa Itaipu microscópica nos acompanham desde o momento em que o óvulo materno é fecundado pelo espermatozoide paterno (grife o termo "óvulo" na sua cabeça: é praticamente certo que as mitocôndrias que carregamos em nossas células neste momento nos tenham sido legadas pela célula da mamãe).

São essas organelas celulares que nos permitem usar o oxigênio do ar para gerar a energia indispensável ao funcionamento do organismo, daí a analogia com Itaipu –mitocôndrias são, por assim dizer, "quimioelétricas" celulares.

Uma série de indícios intrigantes dão peso à ideia de que as mitocôndrias são estranhas no ninho: originalmente, teriam sido bactérias de vida independente que as células de nossos ancestrais "engoliram", desencadeando uma parceria íntima entre dois seres muito distintos os quais, na plenitude do tempo, viraram um só. É uma bela história –mas um trio de pesquisadores brasileiros acaba de mostrar que ela é mais complicada do que imaginávamos.

Nossos arqueólogos mitocondriais são Roberto Herai, Priscilla Negraes e Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (Herai também é ligado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Em artigo na revista científica "Human Molecular Genetics", eles mostraram que as mitocôndrias humanas se valem de um processo complexo de "edição" de seus genes ativados que não existe em bactérias, o que poderia lançar dúvidas sobre a origem bacteriana dessas entidades.

Ocorre que, no DNA do núcleo das células de organismos complexos como nós, os chamados genes costumam ser compostos por duas partes principais. Temos os éxons, que são os que efetivamente carregam a tal receita de proteína, e os íntrons, enfiados entre um éxon e outro.

Quando um gene humano é "ligado", um maquinário específico da célula o transcreve na forma de RNA, a molécula-irmã do DNA. Esse RNA inicial é então picotado e montado: os íntrons caem fora, enquanto os éxons se juntam num pacote só e vão, enfim, servir de manual de instruções para a produção de uma proteína. Dá para montar os tais éxons de diferentes maneiras, o que é bem útil –você consegue obter múltiplas proteínas a partir de um único gene, produzindo variantes distintas em células com função diferente, por exemplo.

Como lembram muito bactérias –com seu tamanhinho, formato e DNA próprio organizado num círculo–, as mitocôndrias não deveriam ter acesso a essas funcionalidades avançadas da célula. O trio de brasileiros, porém, ao estudar diferentes tipos de células humanas, descobriu que o DNA das mitocôndrias tem os tais íntrons –e, aliás, o RNA derivado da organela pode ser montado de diversas maneiras, a depender do tipo de célula onde se encontra.

Isso acontece porque o maquinário de edição de RNA da célula é capaz de adentrar a mitocôndria e lá fazer das suas. Pode ser que isso ainda não seja suficiente para derrubar a tese "mitocôndrias são bactérias", mas mostra como a interação entre elas e o resto da célula vai além da suposta dominação do "primitivo" pelo "avançado".

Clique aqui para ver página original