terça-feira, 6 de junho de 2017

Estudo analisa riscos do aquecimento global ao litoral do Brasil e alerta para falta de dados

Estudo analisa riscos do aquecimento global ao litoral do Brasil e alerta para falta de dados
Ambiente-se

Forte ressaca em 2016 em Santos atingiu canais e bloqueou ruas. Crédito: Mauricio de Souza

Com 60% da população vivendo em áreas costeiras, o Brasil pode enfrentar sérios problemas nas próximas décadas com o aumento do nível do mar e outros eventos decorrentes das mudanças climáticas, como chuvas extremas, tempestades, excesso de ventos e, por consequência, aumento de ressacas.

Relatório que será divulgado nesta segunda, 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, pelo Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), aponta que cidades na faixa litorânea entre Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte estão entre as mais vulneráveis a todos os tipos de perigos, como erosão, ressacas, enchentes, temperaturas extremas, infestação de insetos e pragas. Cidades do Sul, de São Paulo e do Ceará também preocupam.

“Todas essas localidades se enquadram nas classes de vulnerabilidade alta ou muito alta, possuem históricos recorrentes de inundações, enxurradas ou alagamentos altamente impactantes para a sociedade e podem se tornar ainda mais vulneráveis no futuro”, afirma o trabalho, que compila os últimos estudos sobre o tema e traz o estado da arte sobre as vulnerabilidades da área costeira.

A análise levou em conta um conjunto de índices que apontam a vulnerabilidade de todos os municípios brasileiros e o risco de ocorrência de quatro tipos de desastres: enchentes/enchentes-relâmpago, secas/estiagens, escorregamentos e elevação do nível médio do mar. Segundo o trabalho, só na cidade do Rio há mais de 2 milhões de pessoas expostas a escorregamentos. São 800 mil expostas a secas e estiagens na capital fluminense e outras 650 mil em Fortaleza.

Segundo o relatório, se o aquecimento do planeta for limitado a 2°C até 2080 (a meta do Acordo de Paris é ficar bem abaixo disso até 2100), ainda assim pelo menos 5% da população das áreas costeiras poderia ser afetada. Se o aumento da temperatura for maior, para 4°C, pelo menos 8% seriam afetadas.

Um outro trabalho estima, para as 22 maiores cidades costeiras da América Latina, que inundações promovidas por um aumento do nível do mar de até 20 centímetros até 2050, trariam prejuízos de US$ 940 milhões; já para uma elevação de 40 centímetros, os custos saltariam para US$ 1,2 bilhão.

Faltam dados. Um outro alerta do trabalho é ainda mais contundente. Faltam estudos e dados históricos que permitam estimar com mais precisão como o País pode ser afetado pelas alterações provocadas pelo aquecimento global e como podemos nos adaptar a elas.

Os problemas, no entanto, se fazem cada vez mais presentes, como as erosões e encolhimentos de praias vistos em vários cantos da costa e as ressacas intensas (como as que atingiram Santos e Rio no ano passado).

“Observamos eventos já acontecendo e os governos estão sendo pegos desprevenidos. A adaptação tem de ser reforçada, mas precisamos saber a que adaptar, qual é o problema que tem de enfrentar”, explica José Antonio Marengo, coordenador geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e um dos organizadores do relatório.

Não há, por exemplo, para toda a costa brasileira, um valor médio de quanto já subiu o nível do mar, em parte porque não há uma base de dados históricos de qual era o nível do mar em todos os pontos costeiros em diferentes momento.

“Outro problema é que é uma área muito grande, então os impactos vão ocorrer de diferentes formas”, afirma Suzana Kahn, presidente do Comitê Científico do PBMC.

Para algumas áreas, no entanto, há bastante informação e as projeções são mais seguras, dando um indicativo do tamanho do problema para todo o Brasil. É o caso de Santos, que têm o maior porto da América Latina. A cidade no litoral sul de São Paulo tem testemunhado um aumento do nível do mar em média de 1,2 mm por ano desde a década de 1940. E as ondas também passaram de cerca de 1 metro, em 1957, para 1,3 m, em 2002, período em que houve também aumento da frequência de ressacas.

Projeções considerando o valor venal de imóveis à beira-mar na cidade apontam que os prejuízos até 2100, podem ser de R$ 870 milhões se o nível do mar subir até 36 cm, e superar R$ 1 bilhão de chegar a 45 cm. A administração da cidade se envolveu na realização dos estudos e é uma das poucas do Brasil que .

Em Recife, o nível do mar entre 1946 e 1988 aumentou 5,6 mm/ano, num total de 0,24 m em 42 anos. A erosão costeira e a ocupação da beira da praia provocaram uma redução da linha de praia em mais de 20 m na Praia de Boa Viagem, a área da orla mais valorizada da cidade.

Governo federal lança projeto de gerenciamento costeiro

Durante as comemorações da semana do meio ambiente, será realizada, desta segunda até sexta-feira, em Nova York, na sede da ONU, a Conferência dos Oceanos. Para o evento, o governo federal deve anunciar como meta voluntária a execução de um programa de gerenciamento costeiro aliado à adaptação à mudança do clima.

Segundo Regis de Lima, gerente de zoneamento territorial do Ministério do Meio Ambiente, o Programa Nacional de Conservação da Linha de Costa Brasileira (Procosta) vai desenvolver uma metodologia única para toda a costa nacional que permita definir as bases para que se possa avaliar o nível do mar.

Isso porque hoje no Brasil se trabalha com dados díspares para medir profundidade, dependendo do ponto de vista que se avalia, se do continente (altimetria) ou se do oceano (batimetria). As duas medidas deveriam ser iguais, mas por diferenças de metodologia não são, e isso é fundamental para entender exatamente qual é o nível do mar hoje.

Outra questão não bem resolvida é a linha da costa – a junção entre o mar e o continente. Normalmente fala-se em 8 mil km, mas é muito maior, por causa das reentrâncias do território. Sem a linha exata para referência, não há como fazer projeções mais precisas sobre por onde o mar pode avançar ao longo das próximas décadas. Quais serão os perigos costeiros.

A partir desses dois dados, o terceiro projeto do Procosta será mapear os riscos e vulnerabilidades sociais, econômicas e ambientais da costa. O quarto é desenvolver um guia para obras costeiras.

“Hoje vivemos uma situação de pouco conhecimento. Se uma praia começa a erodir e o prefeito declara calamidade pública, o Ministério da Integração tem de liberar dinheiro sem saber direito como a situação vai se desenvolver. Sem projeto adequado, sem acurácia, estamos jogando dinheiro fora”, alerta Lima.

O mesmo, diz ele, vale para obras como de portos. “Temos de conhecer a linha de costa, projetar como ela estará nos próximos anos, para evitar construções em locais errados, recuar estruturas, proteger manguezais”, diz.

Durante a conferência, o Brasil vai se comprometer a elaborar e executar o Procosta até 2030.

Clique aqui para ver página original

Moça descobre aos 16 anos que não tem vagina; conheça a síndrome rara


Joanna Giannouli descobriu aos 16 anos que nasceu com a Síndrome de Rokitansky e, portanto, não tinha útero nem vagina. Em entrevista à rede de TV inglesa BBC News, ela conta como foi a descoberta e como é conviver com esta disfunção.

A doença geralmente causa alterações no sistema reprodutor, mas não físicas – ou seja, externamente, não é possível detectar que há algo errado.

Hoje, com 27 anos, ela diz que não conversou muito com os pais sobre o problema pelos primeiros cinco anos após a descoberta porque sua mãe se culpava por acreditar que havia feito algo de errado durante a gravidez.

Joanna conta que não foi fácil aceitar a sua condição e que foi doloroso ser abandonada pelo noivo aos 21 anos quando ele soube do seu problema. "Tudo isso agora pertence ao passado e estou bem agora", desabafou.

Namorando há 5 anos, ela conta que o atual companheiro sabe da síndrome desde o início do relacionamento e que os dois não se importam em não ter filhos.

Diagnóstico

A mãe de Joanna desconfiou que havia algo de errado quando a filha tinha 14 anos. "Minha mãe me levou ao médico quando eu tinha 14 anos porque eu não estava menstruando. Ele não me examinou porque não queria tocar minha genitália", relembra Joanna.

Porém, a descoberta da síndrome só aconteceu quando ela já tinha 16 anos e passou por um check-up. "Tinha nascido sem uma vagina funcional e os médicos tiveram que construir uma para mim para que eu pudesse ter relações sexuais", explica.

Cirurgia reconstrutiva

A construção da vagina foi apenas o começo. Após a cirurgia, ela ficou internada por duas semanas e depois ficou mais três meses de cama, sem poder levantar. Depois, precisou fazer exercícios para conseguir expandir o períneo.

"A vagina construída pelos médicos era estreita e pequena e causava imensa dor quando eu tinha relações sexuais. Precisei expandir meu períneo, uma pequena área abaixo da vagina, com exercícios", relembra.

Tudo isso gerou um abalo emocional muito forte em Joanna e ela teve depressão, crise de ansiedade e ataque de pânico. Dez anos após a cirurgia, ela conta que ainda se sente mal, mas que não tem mais vergonha.

Síndrome de Rokitansky

foto 0

A Síndrome de Rokitansky é uma doença congênita rara que causa a má-formação ou ausência da vagina, das trompas e do útero e afeta uma em cada 5.000 mulheres no mundo. De acordo com o Dr. Luiz Eduardo Albuquerque, ginecologista e especialista em Reprodução Humana da Fertivitro, a síndrome desencadeia alterações no sistema reprodutor, mas não físicas, por isso que ela é imperceptível externamente.

A doença geralmente é diagnosticada por volta dos 16 anos, que é quando as meninas vão investigar porque ainda não menstruaram. "A ausência de menstruação é a principal característica da síndrome. O diagnóstico é feito através de ultrassom e confirmado com ressonância magnética", explica o especialista.

Após o diagnóstico, o ginecologista ressalta que é preciso investigar outras possíveis más-formações, já é comum problemas no aparelho reprodutor afetarem outras partes do corpo como, por exemplo, os rins.

Nos casos mais graves, em que a maior parte da vagina está obstruída, é necessária a cirurgia de reconstrução para que a pessoa possa ter relações sexuais. Quando a doença é do tipo 1, as mulheres geralmente conseguem viver normalmente sem que haja a necessidade de algum tipo de tratamento.

Útero de substituição

Por terem nascido sem útero, as mulheres com a síndrome não podem ter filhos naturalmente, mas produzem óvulos normalmente porque possuem os ovários. Por isso, tem sido cada vez mais comum a adesão ao útero de substituição.

"As mulheres que desejam ser mães podem usar um parente de até quarto grau para engravidar por ela. É feita a coleta dos óvulos dela, dos espermatozoides do companheiro, fazemos a construção dos embriões em laboratório e inseminamos no útero da pessoa escolhida", detalha Luiz Eduardo.

De acordo com o médico, ainda não existem indícios que a síndrome seja uma doença genética.

Clique aqui para ver página original

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Pesquisadores querem usar células-tronco para ressuscitar pessoas: saiba como.


celulas tronco ilustracao 0617 400x800

Células-tronco são capazes de se transformar em qualquer célula do corpo por meio da divisão celular. Sua aplicação pode ajudar na cura de doenças como diabetes e até câncer.

A empresa Bioquark, com sede na Filadélfia (EUA), porém, quer usar o potencial das células-tronco com o propósito de reviver pessoas.

Para isso, pretende injetar células-tronco na medula espinhal de pessoas que tenham morte cerebral (condição em que a atividade neurológica do cérebro é totalmente perdida).

De acordo com a empresa, além da injeção de célula-tronco, seria preciso combinar diversos tipos de proteínas, realizar estimulações elétricas no sistema nervoso do corpo e fazer terapia a laser no cérebro para que uma pessoa considerada morta pudesse ter novamente atividade cerebral.

O estudo completo deve ser publicado até o final deste ano.

Testes com animais e humanos

Uma das etapas da Biomark para levar a pesquisa com células-tronco adiante é realizar testes com animais.

Desde abril de 2016 a empresa conduziu estudos na cidade de Rudrapur, na Índia, mas em novembro o governo local proibiu que as pesquisas continuassem, alegando falta de autorização. No momento, a empresa busca algum lugar da América Latina para prosseguir os testes.

Feito o teste em animais, a próxima etapa seria o teste com humanos.

Segundo o site especializado em saúde e biotecnologia STAT, o protocolo de testes com humanos seria feito da seguinte forma:

Primeiro, eles devem procurar 20 pacientes que receberão alocação de tratamentos. Eles fazem a injeção de célula-tronco de maneira isolada na gordura ou no sangue do indivíduo.Em seguida, os cientistas ajudam a estimular o crescimento de novos neurônios a partir de uma fórmula injetada na medula espinhal com uma mistura chamada BQ-A. Em testes animais, a BQ-A ajudou a corrigir lesões cerebrais traumáticas e enrugamentos de pele.Depois disso, é preciso que os pacientes entrem em um processo que os cientistas chamam de “regime de estimulação nervosa”, com terapia a laser em um período de 15 dias. Segundo a Biomark, esse processo é fundamental para “estimular os neurônios e formar as conexões” com outras partes do corpo.

Morte cerebral: polêmicas

Estudos com células-tronco costumam ser polêmicos, porque não se sabe muito bem como as células podem reagir com divisões celulares.

No caso da investida da Biomark, muitos cientistas não acreditam na potência das células-tronco para ‘ressuscitar’ pessoas.

Ariane Lewis e Arthur Caplan, do Departamento de Neurologia do Centro Médico Langone, de Nova York, escreveram um artigo científico contestando a possibilidade de usar células-tronco para mortes cerebrais. Segundo a dupla, essa tentativa “não tem fundamentos científicos” e dá às famílias “uma falsa e cruel esperança de recuperação que não existe”.

Além disso, há várias questões éticas quando se fala em morte cerebral. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Academia Americana de Neurologia diz que um paciente não pode ser tratado para recuperar as funções do cérebro.

Clique aqui para ver página original

domingo, 4 de junho de 2017

Mitocôndria é bactéria? Descoberta lança dúvida sobre sua origem

colunistas

REINALDO JOSÉ LOPES

Science Photo LibraryMitocôndrias observadas por meio de microscopia eletrônica e coloridas digitalmente em rosa.

Convido-o, insigne leitor, a meditar um momentinho acerca dos mistérios insofismáveis da mitocôndria. (Melhor do que perder o sono de madrugada pensando no sentido da vida e na inevitabilidade da morte, vai.)

Cópias e mais cópias dessa Itaipu microscópica nos acompanham desde o momento em que o óvulo materno é fecundado pelo espermatozoide paterno (grife o termo "óvulo" na sua cabeça: é praticamente certo que as mitocôndrias que carregamos em nossas células neste momento nos tenham sido legadas pela célula da mamãe).

São essas organelas celulares que nos permitem usar o oxigênio do ar para gerar a energia indispensável ao funcionamento do organismo, daí a analogia com Itaipu –mitocôndrias são, por assim dizer, "quimioelétricas" celulares.

Uma série de indícios intrigantes dão peso à ideia de que as mitocôndrias são estranhas no ninho: originalmente, teriam sido bactérias de vida independente que as células de nossos ancestrais "engoliram", desencadeando uma parceria íntima entre dois seres muito distintos os quais, na plenitude do tempo, viraram um só. É uma bela história –mas um trio de pesquisadores brasileiros acaba de mostrar que ela é mais complicada do que imaginávamos.

Nossos arqueólogos mitocondriais são Roberto Herai, Priscilla Negraes e Alysson Muotri, da Universidade da Califórnia em San Diego (Herai também é ligado à Pontifícia Universidade Católica do Paraná). Em artigo na revista científica "Human Molecular Genetics", eles mostraram que as mitocôndrias humanas se valem de um processo complexo de "edição" de seus genes ativados que não existe em bactérias, o que poderia lançar dúvidas sobre a origem bacteriana dessas entidades.

Ocorre que, no DNA do núcleo das células de organismos complexos como nós, os chamados genes costumam ser compostos por duas partes principais. Temos os éxons, que são os que efetivamente carregam a tal receita de proteína, e os íntrons, enfiados entre um éxon e outro.

Quando um gene humano é "ligado", um maquinário específico da célula o transcreve na forma de RNA, a molécula-irmã do DNA. Esse RNA inicial é então picotado e montado: os íntrons caem fora, enquanto os éxons se juntam num pacote só e vão, enfim, servir de manual de instruções para a produção de uma proteína. Dá para montar os tais éxons de diferentes maneiras, o que é bem útil –você consegue obter múltiplas proteínas a partir de um único gene, produzindo variantes distintas em células com função diferente, por exemplo.

Como lembram muito bactérias –com seu tamanhinho, formato e DNA próprio organizado num círculo–, as mitocôndrias não deveriam ter acesso a essas funcionalidades avançadas da célula. O trio de brasileiros, porém, ao estudar diferentes tipos de células humanas, descobriu que o DNA das mitocôndrias tem os tais íntrons –e, aliás, o RNA derivado da organela pode ser montado de diversas maneiras, a depender do tipo de célula onde se encontra.

Isso acontece porque o maquinário de edição de RNA da célula é capaz de adentrar a mitocôndria e lá fazer das suas. Pode ser que isso ainda não seja suficiente para derrubar a tese "mitocôndrias são bactérias", mas mostra como a interação entre elas e o resto da célula vai além da suposta dominação do "primitivo" pelo "avançado".

Clique aqui para ver página original

Elefanta isolada há 40 anos em zoo entra em depressão profunda

Happy (Feliz) é um nome irônico para possivelmente a elefanta mais solitária do planeta que suportou uma série de problemas dolorosos.

Por Redação

O Bronx Zoo (EUA), que mantém a elefanta aprisionada há 40 anos desde que ela era um bebê, pode tornar sua vida um pouco melhor, mas se recusa a fazer isso.

Foto: Reprodução/Care2

Happy tem 45 anos e não sabe o que é a liberdade desde que era um bebê na Tailândia em 1971, quando foi sequestrada da natureza, juntamente com outros seis filhotes, que receberam os nomes dos sete anões.

Ela e um bebê chamado Grumpy (Zangado) foram levados para zoológicos no Havaí e na Flórida antes de serem explorados pelo Bronx Zoo, em Nova York, em 1977.

Eles permaneceram como companheiros frequentes e eram a única fonte de conforto e esperança um do outro até 2002, quando Grumpy morreu devido a lesões sofridas após um ataque de outros elefantes no zoo.

Pouco tempo depois, o local colocou Happy com um novo companheiro chamado Sammy, mas o elefante morreu de doença hepática após quatro anos e ela voltou a ficar sozinha.

Como Grumpy, Happy foi cada vez mais atacada pelos outros elefantes e sofreu múltiplos ferimentos. Ela foi isolada – o que é fisicamente e emocionalmente doloroso para esses animais que estão acostumados a viver rodeados por suas famílias.

Da mesma forma que Sammy, ela já teve várias doenças sob os cuidados do zoológico, o que é muito comum entre os elefantes mantidos em cativeiro.

Ao contrário de Grumpy e Sammy, no entanto, a elefanta provou ser uma verdadeira sobrevivente. Porém, viver isolada há mais de uma década certamente teve tristes consequências.

Segundo o One Green Planet, a maioria dos animais em cativeiro sente um estresse extremo que afeta seu bem-estar mental e, muitas vezes, desencadeia a zoochosis, que se caracteriza por caminhadas e cuidados repetitivos e até mesmo a automutilação.

Esses comportamentos são observados em aproximadamente dois terços dos elefantes em cativeiro, por isso não é uma surpresa que Happy lide com essas frustrações diariamente.

Além disso, Happy também precisa conviver com uma profunda depressão agravada por sua solidão.

Como a primeira elefanta a demonstrar a autoconsciência em um espelho, Happy é muito consciente sobre sua situação, o que é mais uma prova da crueldade do Bronx Zoo ao decidir não libertá-la.

Há muitos anos, a organização In Defence of Animals colocou o local em sua lista dos 10 piores zoológicos para elefantes na América.

O zoológico finalmente aceitou o fato de que o cativeiro é terrível e, após a morte de Sammy, anunciou que fechará sua exposição de elefantes quando Happy e dois outros elefantes falecerem.

Lamentavelmente, resta o questionamento: por que forçar esses belos animais a passar seus últimos anos sofrendo dessa maneira especialmente quando o The Elephant Sanctuary, localizado no Tennessee, está mais do que disposto a oferecer a Happy a felicidade que ela merece?

Fonte: https://www.anda.jor.br/2017/06/679828/

Filhote de ave extinta há mais de 30 anos nasce em criadouro de Borá


Segundo pesquisadores, o filhote do Mutum de Alagoas é o primeiro da espécie a nascer no estado de São Paulo.

Filhote de Mutum-de-Alagoas é o primeiro a nascer em território paulista (Foto: Instituto Pauxi Mitu / Divulgação )Filhote de Mutum-de-Alagoas é o primeiro a nascer em território paulista (Foto: Instituto Pauxi Mitu / Divulgação )

Os pesquisadores de um criadouro de Borá, no interior de São Paulo, tiveram sucesso na reprodução de um filhote de Mutum-de-Alagoas, ave que está extinta na natureza há 36 anos. Segundo os pesquisadores do criadouro, que existe há 7 anos, esse é o primeiro filhote da espécie nascido no Estado de São Paulo.

O Instituto Pauxi Mitu faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação do Mutum-de-Alagoas, coordenado pelo Instituto Chico Mendes (ICMBio). O instituto recebeu em setembro do ano passado seis casais da espécie, que é nativa da Mata Atlântica e vivia nas áreas próximas à foz do Rio São Francisco. No criadouro, as aves vivem em um ambiente preparado para ser o mais semelhante possível do habitat natural delas mas, por enquanto, somente um dos casais conseguiu se reproduzir.

“Eles chegaram no meio da fase de reprodução, que vai de agosto até fevereiro, e tem que ser respeitado o período de adaptação com o novo lugar, com a alimentação. Então foi colocado apenas um ovo, mas obtivemos sucesso”, conta a bióloga responsável do criadouro, Erica Coriolano.

A bióloga conta ainda que esse único filhote por pouco não foi perdido. “Os mutuns colocam ovo sempre no mesmo período do dia, entre 17 e 17h30 e no dia que o ovo foi colocado no ninho choveu bastante e uma das funcionárias o encontrou perto do bebedouro das aves e me ligou dizendo que estava quebrado. É uma tristeza para gente quando isso acontece, mas a gente sempre guarda os ovos para análise e quando cheguei vi que não estava aparentemente quebrado. Nós fizemos um exame, chamado ovoscopia, quando a gente emite uma luz e analisa todo o ovo e vi que ele não estava danificado. Estava tudo certo então levamos para chocadeira e 30 dias depois nasceu o filhotinho.”

Mutum na natureza

Os primeiros registros da ave que se tem conhecimento foram feitos pelo pesquisador alemão George Marcgrave, no século 18, quando veio ao Brasil durante o período da invasão holandesa. A beleza e o tamanho do Mutum chamaram a atenção do expedicionário. Só que a caça predatória e o desmatamento para o plantio de cana são apontados como os principais motivos para a sua quase extinção.

Depois, somente em 1951, o ornitólogo Olivério Pinto redescobriu o mutum em suas andanças em solo alagoano. Já na década de 1970, o engenheiro Pedro Nardelli esteve em Alagoas com a missão de encontrar a ave. Somente em 1981, ele conseguiu êxito em sua busca e levou seis exemplares para um criadouro particular no Rio de Janeiro. De lá, a ave foi levado para criadores particulares em Minas Gerais.

Mutum-de-alagoas está em extinção na natureza há mais de 30 anos (Foto: Parque das Aves / Divulgação)

De acordo com a bióloga do Instituto Pauxi Mitu, atualmente existem pouco mais de 200 mutuns de Alagoas puros vivendo em criadouros, a maioria em Contagem (MG). “Dizemos puros, porque o Mutum-de-Alagoas está extinto, ele não é mais encontrado na natureza, e a recuperação da espécie começou com cruzamento com outra espécie, o mutum-cavalo, com características parecidas, pois só foram encontradas na natureza três aves do mutum, uma fêmea e dois machos e por isso foi feito o pareamento genético para fazer o cruzamento e poder salvar a espécie. Mas, agora estamos voltando para a espécie pura, graças ao avanço dos estudos sobre DNA.”

Os esforços dos pesquisadores em recuperar a espécie tem o objetivo de promover reintrodução do mutum no seu habitat natural. A soltura do filhote e também de outras aves da espécie está programada para setembro desse ano e irá ocorrer em uma área de reserva ambiental de 978 hectares do estado de Alagoas.

Mas os casais ficam em Borá para continuidade do trabalho de preservação. “Nós estamos muito esperançosos e acreditamos no nascimento de mais filhotes. É um trabalho muito gratificante acompanhar tudo isso desde o comecinho, o ovo e o filhote se desenvolvendo nele, o nascimento e depois a possibilidade de reintroduzir na natureza uma espécie em extinção”, ressalta Erica.

No criadouro também existem trabalho de recuperação de outras espécies ameaçadas, como o papagaio rodocotita. E a maioria das aves mantidas no instituto vem de apreensões feitas pela Polícia Ambiental em cativeiros irregulares.

Viveiro funciona em Borá no Instituto Pauxi Mitu (Foto: Instituto Pauxi Mitu / Divulgação )

Erica conta que existem outras aves no viveiro, como o papagaio Rodocorita (Foto: Instituto Pauxi Mitu / Divulgação )

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Mutações Raras que desafiam os homanos

Nem todas as pessoas possuem a “sorte” de nascerem completamente saudáveis. Em alguns casos, uma pequena falha genética pode mudar completamente a vida, não só da pessoa, mas de toda sua família também. Como nos casos de pessoas que nascem com mutações – causadas por erros de cópia do material durante a divisão celular – raras e que até os dias de hoje a ciência não conseguiu encontrar a cura.

A redação da Fatos Desconhecidos separou 10 dessas raras doenças que hoje desafiam o ser humano. Entre elas está a síndrome de proteus, que provoca o crescimento excessivo de ossos, e também a ectrodactilia, que acarreta excesso de pelo no corpo. Esses e outros exemplos você pode conferir na lista abaixo. Não esqueça de deixar o comentário sobre o assunto no final da matéria.

1 – Sirenomelia

A sirenomelia é um raro distúrbio congênito caracterizado por uma anormalidade da cintura pélvica e membros inferiores, que se apresentam unidos. A doença também é conhecida como síndrome da sereia, pois permite que seu portador fique com aparência de uma sereia.

Estima-se que a sirenomelia esteja presente em cerca de 1 em 60 mil a 100 mil nascidos vivos. Geralmente as pessoas que nascem com essa doença costumam morrer quando ainda são bebês, porém, alguns ainda conseguem sobreviver até a fase adulta.

22% das crianças com sirenomelia possuem mães diabéticas. Essas crianças costumam apresentar problemas na coluna e gastrointestinais.

2 – Ciclopia

A ciclopia é o desenvolvimento de apenas um olho ou dois olhos. O nome da doença está associado ao ser mitológico grego de um só olho, Ciclope. Geralmente as pessoas com ciclopia não têm nariz. De 100 mil pessoas, 1 desenvolve ciclopia. A doença pode ser identificada durante o pré-natal através da ultrassom. Normalmente os bebês que nascem com a ciclopia costumam morrer logo após o nascimento.

3 – Síndrome de Proteus

A Síndrome de Proteus é uma doença genética rara que provoca o crescimento excessivo de ossos, pele e outros tecidos corporais. Geralmente o proteus costuma provocar gigantismo em vários órgãos e membros, principalmente nos braços, pernas, crânios e medula espinhal.

A embolia pulmonar é a principal causa de morte de pessoas que possui proteus. A síndrome também pode provocar tumores. Essa doença não é hereditária, mas se desenvolve durante as primeiras semanas de desenvolvimento, porém, só começa a se desenvolver entre os 6 a 18 meses de vida. Segundo a ciência, o irmão de um proteus tem apenas 1% de chance de herdar a doença.

4 – Policefalia

Policefalia é uma condição fisiológica onde o corpo possui mais de uma cabeça. Normalmente as pessoas com policefalia compartilham os principais órgãos e se dividem na hora de controla a metade dos membros. A policefalia ocorre entre 1 em 50.000 casos de gravidez.

5 – Progeria

A progeria é um distúrbio genético progressivo que faz com que as crianças envelheçam rapidamente. A doença costuma surgir a partir dos 2 anos de idade, e o tempo de vida para pessoas que têm progeria é de 14 anos, pois geralmente morrem com problemas cardíacos.

Uma das característica dessa doença são as orelhas grandes e o nariz pequeno. Normalmente, problemas de pele e nos ossos costumam aparecer. Uma a cada 4-8 milhões de crianças possui progeria. Somente no Brasil são registrados cerca de 15 mil casos, por ano.

Apesar de existir tratamentos para a progeria, essa doença não tem cura.

6 – Anencefalia

A anencefalia é uma má formação rara na estrutura embrionária caracterizada pela falta do encéfalo – conjunto do tronco cerebral – e da calota craniana. As crianças que nascem com essa doença geralmente são cegas e surdas. Por causa disso, os recém-nascidos costumam morrer com poucas semanas após o nascimento.

Estima-se que 3 em cada 10 mil bebês nascem com anencefalia. Pesquisas apontam que as chances de uma mãe que deu à luz a uma criança com a má formação ter outro filho anencéfalo é de 3% a 4%, e após dois bebês, a probabilidade aumenta para 10% a 13%.

A má formação consegue ser identificada durante a gravidez através do ultrassom, no entanto, até então, cientistas ainda não conseguiram descobrir a cura.

7 – Epidermodisplasia Verruciforme

A epidermodisplasia verruciforme é uma doença provocada por um tipo de vírus HPV, que faz a pessoa ter várias verrugas espalhadas por todo o corpo. Essas condilomas ganham formas grandes fazendo com que as mãos e pés de quem tem epidermodisplasia verruciforme se pareça com trocos de árvores.

Essa doença é provocada por um distúrbio de pele autossômico raro, ou seja, só pode ser desenvolvido em pessoas que o pai e mãe sejam portadores. Segundo a ciência, 10% dos casos acontecem entre filhos de casais que são parentes. Geralmente a doença apareça durante a infância, 7,5%, em idades entre 5 a 11 anos os casos são de 61,5% e 22,5% dos casos apareceram na puberdade.

As lesões podem surgir nas cores rosa clara e também violeta. As pápulas, como são chamados os machucados na pele, geralmente costumam ser encontrados principalmente nas mãos, pés, rosto e orelhas, mas não ficam restringidos somente nessas partes do corpo. Se expostas sob a luz do sol, essas lesões podem se tornar cancerígenas.

Atualmente não existe cura para essa doença, mas a pessoa que nasce com epidermodisplasia verruciforme tem a opção de remover as verrugas.

8 – Polymelia

Polymelia é uma síndrome que faz com que as pessoas nasçam com os membros superiores extras. Geralmente esses membros não costumam ser formados completamente. Essa doença pode ser provocada por uso de talidomida, um medicamento sedativo e hipnótico, e uso de hormônios. A síndrome pode ser identificada durante as primeiras semanas do feto. A principal forma de se libertar da polymelia é a cirurgia de remoção dos membros extras.

9 – Ectrodactilia

Essa deformidade costuma ser conhecida como “pé de avestruz” ou “lagostas”, pois as pessoas que nascem não tem um ou mais dedos centrais das mãos ou dos pés. A ectrodactilia é provocada por uma mutação nos cromossomos 10, 7, 3 ou 2.

Cerca de 1 em 18 mil pessoas são diagnosticadas com a deformidade. Cirurgias reconstrutivas podem ajudar as pessoas que nascem com ectrodactilia melhorar a funcionalidade dos membros.

10 – Hipertricose

A característica dessa doença é o excesso de pelos no corpo. Em alguns casos, os cabelos podem se parecer com os que são encontrados em crianças: finos, mas pode acontecer de serem grossos. O tratamento da hipertricose pode ser a depilação com cera, pinças ou até mesmo a laser. Durante o período da Idade Média, 50 casos da doença foram registrados.

A síndrome de alcoolismo fetal ou drogas anti-convulsões podem ser a causa de hipertricose congênita. Já a hipertricoses são encontradas principalmente em pessoas que nasceram no Mediterrâneo ou no Sul da Ásia.

O que você achou dessa matéria? Deixe a sua opinião abaixo.