A evolução dos oceanos, em especial o Atlântico Sul, é um mistério que pouco a pouco vai sendo elucidado com a contribuição do Laboratório de Paleoceanografia do Atlântico Sul. Sediado no Instituto Oceanográfico (IO) da USP, o LaPAS, debruça-se sobre o passado que vai dos últimos 20 mil até 25 milhões de anos. O foco fica nas mudanças climáticas — os professores Felipe Antonio de Lima Toledo e Karen Badaraco Costa querem entender como elas afetaram os oceanos e, consequentemente, toda a vida no planeta Terra.
Os estudos são feitos com base em microfósseis marinhos coletados do fundo do oceano, em especial nanofósseis calcáreos de algas microscópicas e foraminíferos (organismo protozoários, que podem ser, tanto bentônicos — do fundo dos mares —, quanto planctônicos — da coluna de água), que secretam uma testa carbonática.
Microfósseis permitem avaliar a evolução dos oceanos
Os testemunhos — amostras de sedimento retiradas do fundo do mar com um cano de comprimento variável — podem trazer o registro de milhares ou milhões de anos. Por meio deles é possível analisar os fósseis dessa fauna marinha que, ao morrer, se precipita e sedimenta, sendo sobreposta, com a passagem do tempo, pelos fósseis dos organismos mais recentes. Destes fósseis se obtêm, além da classificação e da quantificação, os seus parâmetros químicos e geoquímicos, como o teor de carbono, os isótopos de oxigênio e os isótopos de carbono, além de outros elementos-traço. Assim se tem um indicativo das características químicas da água no período, uma vez que os elementos mantêm a mesma proporção. “É um retrato de como era a água naquele momento. E, assim, se consegue tirar disso, a paleotemperatura da água, a paleosalinidade da água, os compostos orgânicos, a quantidade de nutrientes”, explica a professora Karen.